Senta que lá vem história…
Semana passada fui na FACCAT, a convite da minha querida amiga Joana do MRJ Fotografe, para assistir a uma palestra de Ticiano Paludo sobre redes sociais e comunicação digital. Na verdade o título da palestra era “Da comunicação Analógica à Comunicação Digital” e fazia parte da Aula Magna do curso de Comunicação Social.
Ticiano Paludo ministrando a palestra “Da Comunicação Analógica à Comunicação Digital”(Foto de Joana Thomazoni)
O fato do palestrante ter trazido assuntos relacionados à evolução tecnológica e às tendências da comunicação digital, motivou-me a trazer alguns tópicos por ele comentados, aqui para o blog. Obviamente que não vou resumir toda a palestra (que teve duração de 2 horas), mas vou abordar os aspectos que julguei mais interessante no que se refere à tendências.
Visão futurística das Tecnologias
Como introdução, Ticiano nos mostrou um vídeo produzido pela Microsoft que vislumbra uma realidade futura daqui a 9 anos, baseado em evoluções tecnológicas e em como esta tecnologia facilitará nossa vida. Bem, para os que, como eu, são apaixonados por tecnologia, esta visão é o céu, mas se observarmos atentamente, muito do que é mostrado no vídeo já faz parte da nossa realidade. Por exemplo, os aplicativos com touchscreen, que foram introduzidos inicialmente pela empresa Mitsubishi (com a interface Diamond) e viraram febre com o iPhone da Apple; ou os e-readers que já são uma tendência consolidada para este ano de 2010.
Pensar Analógico X Pensar Digital
Outro ponto levantado na palestra foi a evolução do Pensar Analógico para o Pensar Digital. No sistema de pensamento analógico, as informações eram transmitidas a partir de um EMISSOR para todos os RECEPTORES, como é a televisão, o rádio. Mesmo que existam formas de participarmos dessas mídias através de telefonemas sugerindo uma música ou participando de algum sorteio, estas são participações pontuais e não influenciam a transmissão do que é informado. Já no sistema de pensamento digital, as informações são descentralizadas e o EMISSOR pode ser eu, você, sua vó, e o RECEPTOR pode ser qualquer pessoa, em qualquer lugar da Terra.

Evolução do Pensar Analógico ao Pensar Digital (Foto de Joana Thomazoni)
A partir do momento em que você coloca um vídeo no YouTube, escreve algo relevante em seu Twitter/Facebook/Qualquer-Outra-Rede-Social, coloca suas fotos/vídeos/textos em seu blog, você é um EMISSOR e está compartilhando suas experiências e propagando conhecimento com as pessoas RECEPTORAS, que por sua vez também podem ser EMISSORAS, e tudo vira uma coisa só. Obviamente que você pode considerar algumas das informações compartilhadas um tanto fúteis/inúteis/chatas/desnecessárias. Mas aí eu convoco aquela “tendência do bom senso”, onde cada pessoa deve filtrar a informação que será relevante para sua vida e esquecer do resto, sem maiores burburinhos ou comentários do tipo “tudo na internet não passa de mentiras, futilidades, violência ou um bando de serial killers querendo sugar seu cérebro”. Quem realmente acha que na web 2.0 nada presta, é porque não conhece os verdadeiros recursos que a internet oferece e não é para estas pessoas que este blog escreve. #pronto-falei-aff
Continuando…esta tal evolução da comunicação que o Ticiano tanto falou, de fato está mudando a forma de nos relacionarmos com o mundo, e nosso conhecimento esta sendo, na verdade, construído a partir de uma inteligência coletiva, através de uma cultura participativa. Hoje, para aprender a tocar um instrumento, conhecer uma nova receita de bolo, aprender a fazer uma auto-maquiagem, adquirir informação sobre qualquer assunto existente você pode simplesmente fazer uma busca na internet. Isso pode ser feito a qualquer hora, em qualquer lugar, bastante apenas estar conectado à internet. E, convenhamos, isso é simplesmente maravilhoso!
A sua opinião (realmente) é muito importante para nós!
Parece aquelas frases clichês contidas em questionários de satisfação de consumidor, né? Mas saiba que uma das tendências atuais é a crescente preocupação das empresas em descobrir o que seu público está pensando, quais os rumores acerca do seu produto ou serviço, pois todos sabemos que nesta fase de Pensar Digital (comentado no tópico acima!!) há cada vez mais emissores informando suas sensações e experiências com determinados produtos através de blogs, twitters, orkuts, facebooks, ou outras redes sociais disponíveis. Eu mesma quando vou comprar qualquer produto (seja online ou não!) pesquiso na internet o que as pessoas falaram sobre ele. Se alguém falou mal, eu já fico com um pé atrás e penso muito bem antes de comprar. As empresas estão percebendo (e as que não estão, désolé!) que o consumidor não aceita mais qualquer produto e que confia muito mais nas opiniões de quem já teve contato com este, do que na publicidade veiculada em uma mídia (seja ela qual for).
Ok, isso tudo é meio óbvio, mas como saber o que as pessoas estão pensando sobre você ou sobre sua marca? Simples: es-pi-o-nan-do! Isso mesmo, hoje existem empresas especializadas em monitorar e analisar os burburinhos gerados nas inúmeras plataformas de mídia social. A brasileira e.life é uma dessas empresas que utilizam o método da netnografia, a qual consiste na abertura do tradicional método etnográfico (inserção do pesquisador no ambiente, no dia-a-dia do grupo investigado) para o estudo de comunidades virtuais e da cibercultura. Em resumo, aquele seu novo amigo no Facebook ou Orkut que você adicionou porque achava um gatinho, pode, na verdade, ser um pesquisador que quer saber se você gosta mais de Coca-Cola ou da Pepsi. Mas não se assuste, pois na verdade estas estratégias são ótimas para nós enquanto consumidores. Uma vez que a empresa sabe o que realmente as pessoas pensam sobre seu produto, vai se esforçar no sentido de aperfeiçoar o mesmo na direção de atender o público insatisfeito.

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